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Doença Periodontal
O dado é alarmante: cerca de 30 milhões de brasileiros já não têm mais nenhum dente natural. A recente pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, realizada em parceria com a Organização Mundial de Saúde, revela que o Brasil lidera o ranking de inválidos orais em todo o planeta.
O estudo da Fiocruz dá indicador mais grave ainda: a saúde bucal do brasileiro é reveladora da desigualdade social do país. Aponta acesso restrito aos serviços odontológicos pelas camadas de menor poder aquisitivo e revela a existência de prática mutiladora, caracterizada por extrações em massa, imposta pelas entidades públicas responsáveis pelo setor.
Na comparação entre classes sociais, o levantamento indica que, entre os mais pobres, o percentual de brasileiros que já perderam todos os dentes chega a 42,5% - entre os mais ricos, classe média alta aí incluída, é de 3,9%. A Fundação fez a distinção entre classes sociais levando em conta o número de bens de consumo e duráveis - imóveis, carros e eletroeletrônicos, principalmente.
Apesar de ressaltar como positiva a ação do governo em programas como o Brasil Sorridente - o governo federal acena com a possibilidade de investimentos de R$ 1 bilhão no projeto, em 2007 -, considero ainda incipiente a preocupação do sistema público com a saúde bucal Essencialmente, há forte influência do modelo curativomutilador oferecido pelos serviços odontológicos, caracterizados por uma prática excludente e assistencialista.
Os que podem financiar os serviços - em todo ou em parte - são priorizados. Percebo a necessidade de maior conscientização sobre a prevenção, principalmente entre as classes de menor poder aquisitivo. Destaco que a perda de dentes - total ou parcial- leva ao início de uma doença conhecida como atrofia óssea maxilar, que provoca um processo de destruição da estrutura bucal.
Ela já atinge 70% da população acima de 45 anos - caracteriza, assim, um grave problema de saúde pública no nosso país. O problema ganha contornos mais sérios com a propagação da popular dentadura, disseminada, principalmente, como alternativa para a população de baixa renda.
São, na verdade, próteses parciais ou totais, que, usadas em substituição aos dentes perdidos, apóiam-se sobre o ´tecido gengival´. Com o impacto do dia-a-dia, acabam provocando perda óssea. Claro que não se defende a manutenção de dentes infectados, em fase terminal, na boca. Mas destaco que, extraindo os dentes, resolvemos um problema e criamos outro maior com a conseqüente atrofia óssea bucal.
A desinformação agrava ainda mais o problema, contribuindo para engrossar a estatística que põe o Brasil como o lanterninha no quesito da qualidade da saúde bucal em todo o mundo.
E essa situação nada tem a ver com a qualidade da odontologia brasileira, reconhecida como uma das melhores por todas as instituições internacionais do setor. Quantitativamente, inclusive. É o país com maior número de cirurgiões-dentistas do planeta - atualmente, cerca de 213 mil profissionais, em todo o território nacional.
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